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Sábado, dia 25 de setembro, foi comemorado o “Dia do Rádio”. Músicas, notícias, humor, metereologia, astrologia, debates, entrevistas,... E você, o que ouve quando liga o rádio?
Escrito
por
Leandro Vallim
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 Calice Cale-se
Aproveitado a leva da falta do que falar, do que comentar neste blog, comento agora sobre a falta de assunto. Tem muita gente que não tem o que dizer, cálice. Cálice se estiver falando. Cale-se de vinho tinto, calice a boca, não fale nada. Fique mudo de vez em quando. Cálice. Cale-se. A falta de assunto faz isso: vir escrever em um blog coisas fúteis sobre a falta de assunto. Mais vinho, mais cálice.
Mas não tão fútil assim. Cálice, a música de Gil e Chico Buarque, manda pra puta-que-pariu toda a censura. Com a ambigüidade colocada na letra, Gil e Chico, detona a corrente presa às mãos de quem compõe. Mãos estas que escrevem protestos, contradições ao governo, à políticos,... A Censura Federal da época, na década de 70, cortou os microfones na primeira apresentação de "Cálice", cantada pelos seus próprios autores. Mesmo com microfones cortados, acho que Gil&Chico foderam com os que censuravam a nossa música, a nossa manifestação da época. Num Brasil fechado, com as mãos acorrentadas para compôr e a liberdade de expressão manipulada, esta canção foi um tapa na cara dos "cale-se", dos "atenção!, censurado". La música:
Cálice (Gilberto Gil e Chico Buarque) Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado Ese silêncio todo me atordoa Atordoado eu permaneço atento Na arquibancada pra a qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a proca já não anda De muito suada a faca já não corta Como é difícilo, pai, abrir a porta Essa palavra presa na garganta Esse pileque homérico no mundo De que adianta ter boa vontgade Mesmo calado o peito, resta a cuca Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguém me esqueça
Escrito
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Leandro Vallim
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